segunda-feira, 7 de abril de 2014

Trajetória de Anchieta






Das Canárias e de Coimbra
  de longe viestes a nos encontrar.
Em frágil nau veleira, 
singrando os mares bravios,
da foz do Tejo às Terras de Santa Cruz.
De coração juvenil partistes animado,
junto a confrades navegastes,
 primo de Loyola, irmão de Jesus.
Aqui chegado foi logo,
 em areias quentes caminhando,
 ao longo de mares espumantes,
dormindo em pedra dura,
contemplando no céu o Cruzeiro do Sul.
Bertioga,São Vicente,Itanháem...
suas marcas deixou,
acalmando os Tamoios,
e à Virgem em poemas louvou!
Escalpastes acompanhado,
de bravos gentis amados,
 a Serra do Mar na trilha Guarani.
 No planalto vislumbrado 
entre rios e canoas navegando,
viu surgir a nação Tupi.
Com Nóbrega, o padre mestre,
num dia inspirado,
do apóstolo o nome emprestado
 foi a vila de São Paulo por ti criada
com casa,pão e agasalho.
Coragem  não lhe faltou,
animou-o a fé na vida e na esperança semeou,
um novo homem moldado,
em letras e artes,no amor catequizado.
José de Anchieta, José do Brasil!











quarta-feira, 2 de abril de 2014

Rio São Francisco

Poema dedicado a 
D.Luiz Cappio, Bispo de Barra-Bahia
Defensor do Rio São Francisco. 







Na serra da Canastra vai  nascendo
manso e caudaloso o velho chico
de águas limpas cheias de vida
banhando vilarejos mil
dando peixe aos pescadores
água aos lavradores
levando a todos nas velhas gaiolas,
barcos e canoas desde sempre...
ouvindo o espocar dos rojões
de quem chega e adeus dos que partem
de todos os portos para todos os cantos
dividindo e unindo Petrolina e Juazeiro
represado em Paulo Afonso
gera energia e ilumina meio mundo
chega nas Alagoas e corre veloz...
para o mar sem fim!


São Luiz das Águas - tinta e cera sobre papel,20x30,2007

sábado, 29 de março de 2014

Repouso




meu ombro
te ofereço
para que repouses
ao fim do dia
tranquilo e sereno
só sentindo
que não estás só!




quinta-feira, 27 de março de 2014

ESCREVER É CORTAR

Este poema é dedicado a Henrique V.M.Valle



escrever é cortar
cantar, contar, esquecer
palavras escritas...
a mão, no chão,com carvão
nas areias do mar
nas cavernas rupestres
nos tabletes de argila
nas lápides de mármore
nos papiros do Nilo
nos couros de cabras
nos pergaminhos medievos
nos tecidos de linho
nas lousas escuras
nas paginas de brochuras 
nos papeis de pão
em guardanapos usados...

escrever é um ato de
cortar na própria carne
explodindo a alma
em palavras aos ventos 
poesia!




Ps: ESCREVER É CORTAR 
(esta frase é atribuída a Adélia Prado)




segunda-feira, 24 de março de 2014

CACOS





Do vaso quebrado
restaram em azul
pedaços manchados
de noites de amor...
em lembranças saudosas!

Juntando-os agora
no contraponto
do jogo do tempo
formam disformes
um triste mosaico
 de versos em cacos!



CACOS - Tinta e colagem s/papel,20x30,1998