domingo, 2 de fevereiro de 2014

PROMESSA


Na caminhada da vida
Largaste-me caído
Faminto e sedento
A beira da estrada
Sem mais, nem porque.

Olvidando-me
Seguistes em frente
Sem ouvir meus apêlos
Indiferente...

Soergui-me qual Fenix
Das cinzas do tempo
Pondo-me em marcha
Lenta pelo cansaço
Contínua e persistente.

Caso mais a frente
Por um motivo qualquer
Encontrar-te esmorecida
De mãos estendidas
As minhas não te negarei
Prometo!


Encantos







no canto dos cantos 
te vejo além
na luz do luar
te busco também
em becos escuros
 tu me retens!




Porto








No mar revolto de tua vida,

Quero ser teu porto seguro.

Onde atracas teu jovem coração,

Curando-te as feridas... 

Antes de uma nova partida!






sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Recomendações finais





Quando eu morrer quero um caixão de madeira crua, com seis alças e sem brocados.
Vistam-me com o terno cinza,camisa branca e a gravata azul.
Derramem sobre mim, o resto do meu perfume Portinari.
Nada de flores, nas mãos apenas um ramo de oliveira verde.
Que ardam nos cantos quatro velas de cera de abelha com odor do mel.
Em câmara ardente ouçam minhas músicas preferidas para a ocasião:
O Adagio de Albinone e As Quatro Estações de Vivaldi e Don Giovanni de Mozart.
Que silenciem as línguas dos malidícentes!
O cafezinho estará liberado, mas sem açucar!
No cortejo até a cova,nada de carrinhos de empurrar ou motorizados.
Quero seis homens assim escolhidos: nas alças da cabeceira meus dois filhos,nas medianas meus dois netos,e nas derradeiras o mais novo deles a direita e a esquerda aquele que me amou por ultimo!
O choro contido será liberado para as mulheres,porém as lágrimas das três que amei em vida, já partiram antes de mim e lá me aguardam.
Desejo que na hora das despedidas finais,chova copiosamente e todos saiam depressa,sem olharem para trás,deixando-me em paz na cova rasa!
Ao retornarem, passem antes pela minha casa, lá não encontrarão dinheiro ou joias,mas repartam entre sí, minhas telas,
desenhos,poemas, livros,discos,etc...
Em tempo,se encontrarem entre páginas de algum livro, uma carta de amor e um poema a mim dirigidos não os leiam, por favor lancem ao fogo! 
Parafraseando o poeta termino: aqui me calo,aqui me fino!






Ilustração: O DEVIR ,óleo sobre madeira, 50x70,1998



domingo, 12 de janeiro de 2014

Saudade





sábado te visitei
logo cedo,
nem fila peguei
no museu 
da língua de camões
lusitano e luzidio,
você estava lá...
pensada, 
falada,
escrita, 
cantada,
palavra
em poesia!